Reencontrando um antigo amor – em outra extensão 5 604

postado por Rafaé

Sexta feira, e a história de repete: cerveja com os amigos após o expediente. Papo vai, papo vem, e a conversa também se repete: mulheres. Cada um vem com uma história, uma vantagem, ou um comentário sobre o que ouviu falar. Mas dessa vez, o papo foi mais sincero, beirando a confissão.

Cada um falando de seus primeiros romances platônicos. Rolou Carla Perez, Maitê Proença… Um, mais novo, lembrou da Feiticeira. Mas cá entre nós, ninguém proveniente do programa H é digno de ser lembrado como “primeiro amor”. Enfim…

A minha primeira namorada se justifica pelos expressivos olhos. Foram horas e horas, de beijos sinceros e intensos, a ponto de tirar a tinta da boca dela. Não, não me corrija! Não era batom, não. Era tinta, pura e simplesmente. E a revista? Playboy, obviamente. Não sei quem havia a comprado, mas eu a encontrei e me apropriei, como aqueles malandros que vivem em cima da mulher alheia. E com essa, eu fui um Don Juan. Em menos de cinco minutos, ela já habitava o meu guardarroupas (e meu coração).

A sexualidade aflora de maneira natural, quando se está amando. Confesso que tinha ciúmes quando a via na novela, fingindo. Entre luzes, câmeras e ação, abria mão de seu verdadeiro amor (eu), por um ganha pão. Mas o que me confortava era saber que ela estava à disposição de meu amor, sempre.

Mas o que já se anunciava desde as primeiras sessões de amor, aconteceu: ela rasgou. Falta de carinho, ou excesso de paixão. Não sei até hoje a causa, mas ela não aguentou a intensidade das minhas fantasias. Um rasgo, entre sua boca e seu mamilo esquerdo revelou uma propaganda de desodorante ao fundo. Resumindo: aos 7 anos, fui viúvo pela primeira vez (Nana Gouvêa e Cissa Guimarães vieram na sequência). Mas a lembrança se faz presente. Hoje consegui baixar a minha primeira namorada, em versão pdf. Mas desta vez, não vou imprimir. Eu sei que o amor desgasta os papéis…

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5 Comments

  1. meu, e tem também a Deborah Secco na época de ” Confissões de Adolescente”, que mandava bem pra caralho. o que foi muito bem lembrado ontem por mim e Romulo, numa conversa que parecia até saída de mesas de bares na sexta feira.

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Distante das Linhas de Nazca 0 1014

Thiago Orlando Monteiro

Alguns vazios aumentam sempre que tentamos preenchê-los. E geralmente, porque tentamos preencher com algo que não nos cabe, ou no mínimo não nos pertence.

Não há muito que se ver aqui em cima. Menos ainda há o que se orgulhar. O cinzeiro está transbordando de cigarros. Por cima da mesa são quatro maços vazios e mais um pela metade. Tem outro vazio que não dá pra ver, embaixo do sofá, mas isso é sobre outro dia. As latinhas de cerveja entulhavam a mesa de centro até agora pouco, agora só restam sete, as outras estão sobre a pia. São quatro e meia da manhã, não há mais tempo de se arrepender de nada.

O fluxo de ideias vem numa vertente capaz de mudar o curso de um rio. São dois furacões que espalham tudo o que acabaram de criar. Instantes após o caos a calmaria tenta se fazer presente. Mas não. Esse tipo de sentimento não é bem-vindo, não agora. O cartão de crédito transforma a pequena montanha em linhas. Tudo começa novamente. E só acaba um grama depois.

Nossos impulsos ruem nossa integridade. E como costuma acontecer, ruínas geram ruínas.

O nascimento do sol enfim consegue barrar o curso desse desastre natural. A sensatez, rara nessas condições, permite que três latas de cerveja descansem na porta da geladeira. Um banho quente ajuda a relaxar o corpo. Mas agora, nada é capaz de parar a mente. Já debaixo do lençol o coração bate como uma britadeira. O medo da vida toma conta outra vez. É curioso como tudo sempre lembra o seu contrário. Minha maior vontade era de não estar aqui. Perto de tudo o que me corrói e tão distante das linhas de Nazca.

Escrito pelo Gabriel Protski

Ilustrado pelo Tho

Carta a Hunter S. Thompson 0 836

A temporada de futebol americano ainda não acabou. Ainda faltam bombas. Faltam andanças. Faltam confusões. Ainda falta muita diversão. Que venham mais 67. Mais 17. Que apenas venham. Mesmo que doa. Mesmo que canse. Mesmo que seja obrigado a conviver com o gosto de cloro. Talvez isso não seja plano para mais ninguém. Não importa. Que sigam os jogos, a temporada está só começando.

 


 

Carta de suicídio de Hunter S. Thompson:

“A temporada de futebol americano acabou.

Chega de jogos. Chega de bombas. Chega de andanças. Chega de natação. 67 anos. São 17 acima dos 50. 17 mais dos que necessitava ou queria. Aborrecido. Sempre grunhindo. Isso não é plano, para ninguém. 67. Estás ficando avarento. Mostra tua idade. Relaxe. Não doerá”

 


 

Gabriel Protski