Imortais de nossa época 5 511

postado por Rafaé.

Ah, enfim. Uma semana sem Big Brother. Se isso é bom ou ruim, não sei. A verdade é que tem gente milionária, e milhões de pessoas já pensando em produzir um vídeo sedutor pra participar da próxima edição do programa.

Alguns desocupados perdem seu tempo defendendo que um livro do Orwell nem deveria ser associado a um programa tão chinfrim. Panacas! Quem é George Orwell e o tal do 1984, quando comparados ao poeta Pedro Bial, em 2010? Caquéticas ideias, no máximo.

Voltando (adentrando) ao assunto Pedro Bial e poesia. Como são bons os dias de paredão, em que o nosso Bial nos impressiona com a maestria em manusear palavras. Aquelas parábolas poéticas, onde as ideias vão e vem, nos deixando com o coração na boca, ansiosos para saber quem será o eliminado.

Orwell, se estivesse vivo, estaria envergonhado em ter se apropriado do nome Big Brother pra sujar em uma obra tão leviana e vazia. Azar do Pedro Bial, que surgiu com muito mais talento, mas na época errada.

Pra mim, não há dúvidas. Enquanto nosso Bial não emplacar outro sucesso, como o da fantástica tradução do “Filtro Solar”, o povo brasileiro continuará se deliciando com os sonetos do Paredão. Dá pra ver no Youtube…

Feliz de você, Marcelo Dourado. Além de ganhar uma grana preta, recebeu uma maravilhosa composição poética do nosso imortal Pedro Bial. Ou, para os que reconhecem, o Lima Barreto do Projac.

Cuidado aí, Zeca Camargo. Se não, logo você volta a ser repórter para lugares inóspitos e esdrúxulos.

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5 Comments

  1. rafaé, falando das peripécias poéticas de bial, vou dar aquela comentadinha gostosa e dividir uma aleatoriedade qualquer aí sobre a final do bbb10: eu ouvi (ou acho que ouvi) ele dizendo “é como um strip tease da alma”. quer dizer, agora imagine se o orwell pode com um negócio desse? tem nem como.

    1. Geo, “é como um strip tease da alma”. Com certeza foi ele quem falou. Nem vc, nem ninguém seria capaz de uma pós-neo-modernisse desse quilate!

  2. Agora teremos que contar com a sorte de ele lançar um livro de poesias entre essa edição do BBB que acabou há pouco e a próxima. Ou seria melhor que ele segurasse um pouco de sua arte pra nos surpreender mais quando ela nos atropelar em Janeiro?

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Distante das Linhas de Nazca 0 967

Thiago Orlando Monteiro

Alguns vazios aumentam sempre que tentamos preenchê-los. E geralmente, porque tentamos preencher com algo que não nos cabe, ou no mínimo não nos pertence.

Não há muito que se ver aqui em cima. Menos ainda há o que se orgulhar. O cinzeiro está transbordando de cigarros. Por cima da mesa são quatro maços vazios e mais um pela metade. Tem outro vazio que não dá pra ver, embaixo do sofá, mas isso é sobre outro dia. As latinhas de cerveja entulhavam a mesa de centro até agora pouco, agora só restam sete, as outras estão sobre a pia. São quatro e meia da manhã, não há mais tempo de se arrepender de nada.

O fluxo de ideias vem numa vertente capaz de mudar o curso de um rio. São dois furacões que espalham tudo o que acabaram de criar. Instantes após o caos a calmaria tenta se fazer presente. Mas não. Esse tipo de sentimento não é bem-vindo, não agora. O cartão de crédito transforma a pequena montanha em linhas. Tudo começa novamente. E só acaba um grama depois.

Nossos impulsos ruem nossa integridade. E como costuma acontecer, ruínas geram ruínas.

O nascimento do sol enfim consegue barrar o curso desse desastre natural. A sensatez, rara nessas condições, permite que três latas de cerveja descansem na porta da geladeira. Um banho quente ajuda a relaxar o corpo. Mas agora, nada é capaz de parar a mente. Já debaixo do lençol o coração bate como uma britadeira. O medo da vida toma conta outra vez. É curioso como tudo sempre lembra o seu contrário. Minha maior vontade era de não estar aqui. Perto de tudo o que me corrói e tão distante das linhas de Nazca.

Escrito pelo Gabriel Protski

Ilustrado pelo Tho

Carta a Hunter S. Thompson 0 782

A temporada de futebol americano ainda não acabou. Ainda faltam bombas. Faltam andanças. Faltam confusões. Ainda falta muita diversão. Que venham mais 67. Mais 17. Que apenas venham. Mesmo que doa. Mesmo que canse. Mesmo que seja obrigado a conviver com o gosto de cloro. Talvez isso não seja plano para mais ninguém. Não importa. Que sigam os jogos, a temporada está só começando.

 


 

Carta de suicídio de Hunter S. Thompson:

“A temporada de futebol americano acabou.

Chega de jogos. Chega de bombas. Chega de andanças. Chega de natação. 67 anos. São 17 acima dos 50. 17 mais dos que necessitava ou queria. Aborrecido. Sempre grunhindo. Isso não é plano, para ninguém. 67. Estás ficando avarento. Mostra tua idade. Relaxe. Não doerá”

 


 

Gabriel Protski