Trocadilhos piores que uma kaiser quente. 2 46

postado por Muriloco

Não era por qualquer trivialidade que, naquela manhã, o bar se encontrava em polvorosa. Aconteceu que, durante a madrugada, assassinaram o Presidente. Sem mais nem menos o conhaque apareceu lá, espatifado no chão.

O que começou com acusações de uns aos outros, se tornou faladeira e discussão. Todos estavam, afinal, com certa quantidade de álcool em seus corpos, e a tagarelice foi conseqüência inevitável. Primeiro ofenderam a Cerveja, estrela do lugar, dizendo que ela sempre chegava arrumada, de colarinho, mas logo estava se derramando pelas beiradas.

Em seguida acusaram a Catuaba, dizendo que ela de santa não tinha nada, pois sempre estava seduzindo todos com suas propriedades afrodisíacas.  O Saquê discordou, dizendo que ela nunca deu bola pra ele, mas isso todo mundo sabia que era porque ele tinha bico pequeno. Mas a verdade era que o único que caia nos encantos dela era o Dry Martini, porque estava na seca.

Todas aquelas picuinhas causaram irritação em alguns. O Champagne, por exemplo, já estava espumando de raiva. Chamaram-no de sangue quente, mas ele disse que a única com sangue ali era a Bloody Mary. Alguém ameaçou rodar a baiana, mas a Baianinha não gostou. Ela gostava de entrar numa briga, por isso estava sempre meio batida, não importa se de maracujá ou coco. Já no outro canto do boteco, a Smirnoff Ice mandou a Keep Cooler ficar fria e não se meter na confusão.

Acusaram ainda a Cuba Libre de cometer o assassinato como forma de ato revolucionário, em parceria com o Submarino, cansado de estar sempre por baixo.  Já a Caipirinha, que ficava ao lado de Campo Largo, não estava entendendo nada daquele papo urbano. A Pinã Colada apresentou uma hipótese que não colou. Foi o Velho Barreiro, mais experiente, que surgiu com uma suposição mais admissível: a vítima antes estava no alto da estante, então o assassino devia ser o Absinto, que sempre subia mais rápido.

O debate continuou, mas vou parar por aqui. Afinal, essa história está um verdadeiro porre.

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Vida comum parte 1 0 107

Vida comum parte 1

Véspera de feriado, antes da meia-noite e eu já com meia garrafa de conhaque na mente. Curtia me derreter no gole, de dose, de lata, de garrafa, de todo jeito. No feriado rolou um churrascão que nem lembro se comi, dropei umas caipiras antes de acender o fogo e fiquei mais preocupado com a temperatura das garrafas que da carne. Sábado a ressaca com a mão pesada, tava batendo forte, contra-ataquei com uns latão, encostado nos fundos do posto com a rapeize, só flagrando os doidinho tirando uns racha de Parati, Chevette e Gol Chaleira. Domingo rolou rave na região metropolitana, no meio do mato, não virava ir de bonde, botei uma gasolina na Bizz e meti o pé; duas carteiras de Minister depois já tinha descido whisky com energético, vodka com suco, vários ampola, um doce e umas água colorida que os parceiro botaram, sei lá qual fita, puta gosto de remédio. Bati a nave antes da hora, cheguei em Grayskull sem nem aproveitar a viagem, ensaiava falar e não saia voz, tava tenso, me mordendo, fiquei nervoso: deu bad. Tentei endireitar a caminhada tomando umas águas, mas não rolou, a conta não batia, os dentes rangendo, coração agitado querendo se mudar do peito. Precisava voltar pra minha goma, tomar um banho, talvez dois, sei lá, só precisava vazar, montei na moto e fui. Tava com dois IPVA atrasados, cabreiro de cair numa blitz, e se soprasse um bafômetro explodia a máquina – certeza. Queria chegar logo, entrei no modo Valentino Rossi e corri a milhão, como se fosse fuga. Foi aí que deu ruim no piloto automático, se pá que dormi em cima do jato, lembro só de uns clarão, uns flash. Vi o céu por baixo, deitado no asfalto, sei lá qual fita, tudo nublado, que dia bosta. Me liguei e já tava todo remendado no hospital, numa sala com umas vinte cabeça, todo mundo fudido, uns mais outros menos. Eu? Era cabeça de chave do grupo dos desgraçados: com a lata do frankstein, olho roxo, cara inchada, nariz quebrado, uns ponto na testa. Trinquei uma costela e quebrei outras duas, a clavícula rachou e a mão tava na carne viva. O médico foi desenrolando essa lista aí e eu aceitando na moral, os pensamentos embaçados, cheio de analgésico, todo bagunçado de dor. Aí teve uma mão que ele deu uma pausa, ficou mais bolado e mandou A real: disse que eu sofri um choque cabuloso no quadril, perdi mais de 80% do fígado, que num tinha como dizer o tamanho real do estrago, mais uma fita era certa, nunca mais ia poder beber, se tomar meia lata que seja, posso encomendar o caixão. Acordei umas três vezes crente que tava tendo um pesadelo, foquei umas horas que tava numa brisa errada de doce. Mas não. A vida é uma viagem desgraçada.

Chegada 0 671

hoje recebi sua mensagem
Estou chegando, prepare a casa
e meu coração pulou afora
bateu amor por toda a cidade

conto os dias, conto as semanas
conto para todos
Ela está vindo!

hoje recebi sua mensagem
Estou chegando, mas levo ainda um pouquinho
e antes de te ter em meus braços
já tenho em todos os sonhos do mundo

conto os dias, conto as semanas
conto para todos
Minha menina vai chegar!

hoje recebi sua mensagem
Estou chegando, já não falta mais tanto
e prevendo as noites com você,
me vejo em claro sonhando

conto os dias, conto as semanas
conto para todos
Vou ser pai