Hermético Falso 01 0 457

Postado por Marco Antonio (É NÓIS QUE TREME, HAITI!)

NÃO me incomodam, vocês, mas peço. como recurso, não como necessidade. um só minuto por favor. instante de silêncio no recinto, pois reflito. sei que…sim. grandes temas, enfim, o amor. é e são como estrelas vagando no infinito. não rumo ao, ou voltando do, necessariamente. viajando enquanto dançam. displicentes. bobo imobilizado, mero  desastrado. ninguém que sou: de dentro contemplo. sem lente que melhore o foco por sobre os elementos. pois sobra poeira mas falta vento, e enquanto há ainda o que é sujo, disseram que só o tempo. falemos do. não sabem como meço o meu, não sei como medem o deles. conselho inútil para um lado e para o outro, portanto. quase nunca manifesto posição. não por não ter. mas pra não exibir o que é íntimo. pra não perder parte de alma que morre se em contato com veneno que sai de boca qualquer que não a minha. ou outra sensata. (a ilusão da sensatez – lembrar). melhor fazer as coisas que falar delas. não há na minha boca maior sensatez que em qualquer outra, ou nos meus atos algo que justifique o medo de…, eu sei. disse paulo napoli: “se é pra falar de mim, deixa que eu mesmo falo”. tenho bastante mais que fazer. gosto da ilusão de que sim, pelo menos. uma das melhores invenções. (a ilusão da missão transcedental – lembrar). garante longas risadas. está bem difícil dar longas risadas. conceito me foge hoje em dia, que os dias estão tristes demais. ninguém tem “mais o que fazer”. um sentido maior, algo assim. nada. ninguém. mesmo. e mais. me agarram os tentáculos do monstro desgraça. barreiras invisíveis. ou só tentáculos, quando economizo tempo ao não executar análises sobre temas que não me interessam. escrevo, que se falasse, chorava. como fiz já. pffff…ainda isso de ordens inversas. recurso raso. O refúgio do otário e do perseverante. aqui que eles se encontram, e quase sempre só aqui. nos recursos rasos de discurso. o otário nesse nível por ser otário. o perseverante no mesmo nível por ser perseverante.

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Distante das Linhas de Nazca 0 1050

Thiago Orlando Monteiro

Alguns vazios aumentam sempre que tentamos preenchê-los. E geralmente, porque tentamos preencher com algo que não nos cabe, ou no mínimo não nos pertence.

Não há muito que se ver aqui em cima. Menos ainda há o que se orgulhar. O cinzeiro está transbordando de cigarros. Por cima da mesa são quatro maços vazios e mais um pela metade. Tem outro vazio que não dá pra ver, embaixo do sofá, mas isso é sobre outro dia. As latinhas de cerveja entulhavam a mesa de centro até agora pouco, agora só restam sete, as outras estão sobre a pia. São quatro e meia da manhã, não há mais tempo de se arrepender de nada.

O fluxo de ideias vem numa vertente capaz de mudar o curso de um rio. São dois furacões que espalham tudo o que acabaram de criar. Instantes após o caos a calmaria tenta se fazer presente. Mas não. Esse tipo de sentimento não é bem-vindo, não agora. O cartão de crédito transforma a pequena montanha em linhas. Tudo começa novamente. E só acaba um grama depois.

Nossos impulsos ruem nossa integridade. E como costuma acontecer, ruínas geram ruínas.

O nascimento do sol enfim consegue barrar o curso desse desastre natural. A sensatez, rara nessas condições, permite que três latas de cerveja descansem na porta da geladeira. Um banho quente ajuda a relaxar o corpo. Mas agora, nada é capaz de parar a mente. Já debaixo do lençol o coração bate como uma britadeira. O medo da vida toma conta outra vez. É curioso como tudo sempre lembra o seu contrário. Minha maior vontade era de não estar aqui. Perto de tudo o que me corrói e tão distante das linhas de Nazca.

Escrito pelo Gabriel Protski

Ilustrado pelo Tho

Carta a Hunter S. Thompson 0 877

A temporada de futebol americano ainda não acabou. Ainda faltam bombas. Faltam andanças. Faltam confusões. Ainda falta muita diversão. Que venham mais 67. Mais 17. Que apenas venham. Mesmo que doa. Mesmo que canse. Mesmo que seja obrigado a conviver com o gosto de cloro. Talvez isso não seja plano para mais ninguém. Não importa. Que sigam os jogos, a temporada está só começando.

 


 

Carta de suicídio de Hunter S. Thompson:

“A temporada de futebol americano acabou.

Chega de jogos. Chega de bombas. Chega de andanças. Chega de natação. 67 anos. São 17 acima dos 50. 17 mais dos que necessitava ou queria. Aborrecido. Sempre grunhindo. Isso não é plano, para ninguém. 67. Estás ficando avarento. Mostra tua idade. Relaxe. Não doerá”

 


 

Gabriel Protski