Ronaldinho Gaúcho é, na verdade, cearense 8 1039

Emocionado, o craque desabafa

postado por Rafaé

Às vésperas da Copa do Mundo, uma bomba explode no futebol brasileiro. O craque Ronaldinho Gaúcho, do Milan, veio a público revelar suas verdadeiras origens. Visivelmente abalado e, possivelmente sob efeito de alucinógenos, Ronaldinho foi enfático na entrevista coletiva convocada às pressas: “Não jogarei mais pela seleção enquanto Dunga estiver por lá”.

Apesar da pouca relevância de uma declaração como esta, vinda de um jogador decadente, os repórteres presentes (cerca de 47) insistiram em perguntas, para que surgisse algo mais importante na situação. Até que, não se sabe o porquê, Ronaldo pediu silêncio e disparou: “Querem saber? Não sou, e nunca fui gaúcho! Nasci em Maingaíba, coração do Ceará!”. O atleta disse ainda que suas origens foram omitidas para facilitar sua aceitação no conservador futebol gaúcho, em 1996.

O tumulto estava garantido. Os repórteres, após pigarros e tosses encomendadas, revoltaram-se e se rebelaram contra o jogador. Aos berros, viraram a bancada com microfones, e o jogador teve que ser retirado às pressas do local, protegido por sete seguranças. Após a confusão, os repórteres, ainda em estado de choque, abandonaram o local cantando em uníssono: “Strawberry fields forever…”.

As reações no mundo da bola não demoraram a aparecer. Parceiro do, até então, gaúcho na copa de 2006, Kaká postou na rede de micro-blogs Twitter que sempre desconfiou da procedência de Ronaldo: “Era muito estranha a maneira que ele comia. A farinha era sempre presente, mesmo quando a comida era italiana”, twittou o craque evangélico.

Dunga, já em Johannesburgo, mostrou-se aliviado em não ter convocado o agora cearense. “Seria um golpe duro demais pra reerguer o time até a estreia contra a Coreia do Norte”, finalizou o visivelmente abalado treinador.

Os advogados dos 13 times por onde Ronlado passou já analisam uma maneira de processar o craque, acusando-o de “gato”. Caso a punição se concretize, será a primeira vez que um jogador será castigado por ocultar sua cidade de origem.

A dúvida que fica pairando, perturbando o mundo do jornalismo esportivo é: Como será chamado Ronaldinho a partir de agora? Certamente, referências ao Ceará devem aparecer no novo nome artístico do atleta.

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8 Comments

  1. Tu só pode ta usando dorgas cara, inventou um baguio bem interessante, se eu num fosse gaucho e num conhecece o R10, eu até acreditaria em ti. Mas fica pra próxima kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    1. Kii nada carinha…vai se fuder

      Ronaldinho sempre foi o jogador mais criativo da atualidade,nem msm Messi chega perto dele

      Dunga vacilou em não levar Ronaldinho,e confiou em Kaka que não fez nada só tem frescura …

  2. Que nada ronaldinho gaucho ainda é o melhor jogador brasileiro desde 2002.Nem kaka nem Robinho nem mesmo Messi tem a criatividade que Ronaldinho tem. E ele só se passou por gaúcho pq no Brasil infelismente as portas se abrem com mais facilidade para o sul do país.

    Sempre duvidei que Ronaldinho seria do sul,por causa do seu grande talento … o povo do sul só sabe tomar chimarrão kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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A maldição de Marigol 0 1289

Não demorou para que Mariel virasse Marigol entre os torcedores do Tricolor da capital. Quando ele apareceu, contratado como destaque em algum clube pequeno do campeonato estadual gaúcho, o time vinha jogando bem e criava muitas oportunidades no Brasileirão, mas a bola não entrava de jeito nenhum. Marigol tratou de suprir a necessidade: fez logo três gols nos dois jogos em que entrou no segundo tempo, dando a entender que a sina acabara e que o torcedor tinha um novo artilheiro para chamar de seu.

Nunca foi craque – na verdade, tinha até alguma dificuldade nos fundamentos mais básicos do futebol, como domínio de bolas e passes curtos – mas conquistou a Demônios das Três Cores, torcida organizada da agremiação, dando tudo de si em todas as partidas e estando sempre no lugar certo, como se Deus sussurrasse em seu ouvido aonde deveria ficar para empurrar a bola pra dentro das traves, com a parte do corpo que fosse.

Logo ganhou a camisa 9 e a boa fase se consolidou. O time voava e mais três gols decisivos de Marigol em quatro partidas transformaram o Tricolor, que havia recém subido à primeira divisão, em candidato cada vez mais forte a ganhar uma vaga para a Taça Libertadores do próximo ano. Cada partida era como uma nova página na bonita história de amor construída entre atleta e clube. Nos poucos combates em que a bola não entrava, disposição não faltava, e qualquer tentativa de salvar uma saída de bola pela linha lateral era comemorada pela galera.

Tudo vinha bem até o meio do ano. O campeonato nacional foi paralisado por um mês para a realização da Copa das Confederações, que trouxe, com ela, a abertura da janela de transferências e o inevitável desmanche do elenco. Marquinhos, o “Canhota de Ouro” dono da 10, foi negociado com o futebol chinês, e o lateral-direito Tiago Matos – “Diabo Matos”, para os adeptos – foi seduzido por um investidor e partiu para a série B da França.

Com o time desfigurado, a esperança da Demônios das Três Cores tinha nome e apelido: Mariel, o popular Marigol. Mas depois de três jogos após a pausa, as coisas já mudaram bastante de figura. O centroavante ainda metia seus golzinhos, mas recebia menos assistências e a regularidade foi diminuindo. Marcava um tento aqui e outro ali, mas a queda na confiança o levou a perder gols fáceis com uma frequência cada vez maior. O tricolor passou a cair vertiginosamente na tabela, e não tardou para que o sentimento da geral atravessasse a famigerada tênue linha e se transformasse em ódio – os mais maldosos passaram a chamá-lo de MariSemGol.

Numa jornada especialmente triste, na penúltima rodada do campeonato, Marigol conseguiu a façanha de arruinar três excelentes jogadas de ataque no mesmo domingo. A primeira foi um cruzamento açucarado: se ficasse parado, a bola bateria na testa e entraria, mas Marigol tentou um movimento ousado e foi como trocasse a cabeça por um travesseiro fofíssimo, que apenas amorteceu a bola para o goleiro. Na segunda, o 9 recebeu dentro da área, livre de marcação, mas apelou para a ignorância e isolou a bola no terceiro anel do estádio. Já a terceira e mais emblemática foi num contra-ataque em que Mariel ganhou do zagueiro adversário, em um misto de força e velocidade, e saiu cara-a-cara com o goleiro. Ao invés de finalizar fácil, rasteiro e na saída do atleta de luvas, porém, tentou calar os críticos e encobrir o arqueiro com uma cavadinha. Dada a falta do talento, porém, pegou de forma estranhíssima na pelota, que saiu mais fraca do que o planejado e completamente sem direção. A bola fez uma curva bizarra, triscou a trave direita e morreu ainda antes das placas de publicidade na linha de fundo.

O estádio veio abaixo. Nunca se ouviu, naquela região, uma vaia tão sonora – moradores de mais de um bairro de distância relataram uma vibração considerável no chão. No próximo lance, sob o burburinho pesado das arquibancadas, Mariel tropeçou com a bola dominada e ouviu gargalhadas intensas da própria torcida. Ainda no chão, tomado pela ira, desferiu uma bicuda no tornozelo do adversário que lhe tomou a redonda e foi punido com o cartão vermelho. A massa vociferava e Marigol perdeu a cabeça – se levantou do relvado, foi em direção ao setor onde ficava a torcida organizada e baixou o calção, mostrando a todos que infelizmente não utilizava cuecas durante a prática desportiva.

A maioria dos colegas estava ao lado de Marigol, mas o consenso era de que não havia mais clima para o atleta no clube. Logo após o apito final, ainda no vestiário, Dr. Reginaldo, presidente do tricolor à época, foi ter com Mariel. Era aquilo: não tinha mais jeito, rapaz. Aquela fora a gota d’água, e ele precisaria vir rapidamente a público avisar que o jogador não fazia mais parte dos planos da diretoria, ou passaria por frouxo perante a opinião pública. O ex-artilheiro já imaginava e, no fim das contas, sentia mais raiva dos torcedores e injustiça do que arrependimento pelas atitudes. Tinha apenas um último pedido: fazer apenas mais um último treino no gramado daquele palco de algumas glórias e tantas tristezas.

Dr. Reginaldo acatou sem pestanejar, pois guardava ainda bastante simpatia pelo garoto. Na terça-feira seguinte, portanto, Marigol se apresentou como de costume, vestiu o fardamento de treino e foi em direção ao campo. O clima era péssimo e os companheiros o receberam com um silêncio tão desconfortável quanto honesto. Ele quebrou o gelo com alguma piada sobre o fato de que agora estariam livres do futebol dele, todos riram tristemente e se puseram a trabalhar. Errou passes, errou finalizações mas contagiou a todos os colegas com uma alegria que já denotava nostalgia.

Após o treinamento, Mariel se despediu do pessoal e pediu alguns momentos sozinho ao lado das traves onde perdera seus três últimos e fatídicos gols com a camisa tricolor. Passou meia hora – cravada – falando sozinho, sentando, levantando, apontando para os quatro cantos da meta e para o local da arquibancada reservado à Demônios. Conta a lenda que, no momento da despedida derradeira, agradeceu Dr. Reginaldo pela oportunidade e sugeriu, em tom entre piada e profecia, que o clube deveria aposentar para sempre a camisa 9 que vestira naquele campeonato inesquecível.

*

Fala-se muito sobre objetos enterrados e más energias. Os mais céticos atribuem o azar à pressão que a posição carrega nas costas após essa passagem meteórica. Ninguém sabe ao certo que tipo de artimanha Marigol fez por lá, mas já são três anos e uns poucos meses que nenhum atleta trajado com a 9 tricolor consegue converter um mísero golzinho naquele lado do campo. Nem de pênalti.

 

 

texto de Rômulo Candal

ilustração de Nina Zambiassi