Texto de em 27 de Março de 2014 . Nenhum comentário.

– Se a Deise não tivesse aparecido na minha vida, ou eu tava preso, ou eu tava morto.

– Eita.

– Sério.

– Por quê?

– Cê tinha que ver minha disposição quando eu era mais novo. Ainda mais morando do lado do Paraguai.

– Onde cê morava?

– Perto lá.

– E o quê que tinha lá?

– Tinha tudo. Eu levantava um dinheiro. Trazia produto da fronteira, repassava maconha. Tudo que desse grana eu fazia…

– Nah, tudo, tudo, cê num fazia.

– …mas só gastava com merda, também. Aí num adianta, né?! Festa, puta, moto. Um monte de merda. Aí, conheci ela…aí que veio a coisa.

– Que coisa?

– Sei lá.

– Porra, mas que bom, né?! Pelo menos você tá aqui agora.

– É, irmão. Tô te falando.

– Será que tem café ali naquela lanchonete?

– Tem, mas é ruim.

– Vou pegar um.

– Pega um pra mim também?

– Pego sim.

 

Marco Antonio Santos