Cortejo à superação da pira errada 1 101

passa pira, afasta a pira
que essa pira é Curupira;
ludibria e dobra a mente
como dobra os próprios pés…
faz zarpar vil embusteira!

ô menina, não delira
respira e repousa; é mentira!
qu’ela zomba em teu tormento
vai prum lado e quer-te invés
pira errada e trapaceira

pira, pira, não me mira
impostora, Curupira
não caio na tua armadilha.

contra pés dissimulados,
teço a calma num bordado
abrando a cabeça andarilha.

por Carolina

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Sua 0 157

como fosse poema,
você me talha

me transforma
em versos
belos pra você

feito rima
sigo torta

nesse mundo
que tem tudo,
belez’alguma
é pra mim

ao redor,
só a dor
do que fui
até o fim.

 

texto: Rafael Antunes
ilustração: Nina Zambiassi

Poemanarco 0 113

quis poupar palavra
quando meia poesia
já sozinha caminhava.
– Como ousa? – ruge o verso –
pôr-me em síntese, assim?
fazer tão pouquinho de mim
que transcendo o dicionário,
que falo em francês e latim?

larga dessa, poetisa.
Deixa o verso se gastar
que ele não é teu pra fazeres economias:
trova sopra ventania,
rima voa em boa brisa.
Solta a palavra que ele te pede
mata nele toda sede
até que o novo do novo
um dia, quem sabe,
corrompa o decreto
de encaixar esse ímpeto
tão lascivo e tão sem teto
na rotina de um soneto.

Carolina Goetten