Texto de em 17 de agosto de 2015 . Nenhum comentário.

Então aconteceu: o exame psicológico de sim mesmo. Análise de alma escura que levanta as mãos e atira pedras em cães quase mortos. Sujo. Molhado. Pelo com falhas.

Ameaça hoje, já ameaçou ontem também. No banheiro da escola. No carro, na volta para casa. Estrada das tubulações, rota para perder o sono, deitar de bruços, ranger os dentes.

“Estava embriagado e as viciava em drogas, as transformava em prostitutas”, disse o guarda. Vidro espelhado. O colocaram lá e as fizeram olhar para todos, um por um.  Ele, perdido, com seu casaco preto, não levantava os olhos, olhava o chão.

Delegacia da rua de paralelepípedos. Policial de má vontade. Eu não queria aquela fotografia, ela veio sozinha até nós. Mesmo sem nitidez, o estrago estava feito. Deus perdoe aqueles cães. O cão sou eu.

 

Escrito por Jadson André

Ilustrado por Caroline Rehbein