Texto de em 03 de agosto de 2015 . Nenhum comentário.

há quem arrisque
um verso ou outro
exerça um lirismo
versão beta

e já se proclame poeta

ai, moléstia inveterada!
quem leu sobre leis
mas é cego, iletrado
em leitura do mundo
já diz: sou doutor
pleno e graduado
do saber absoluto
(e não me conteste!)

presunçosa alcunha
se precipitada;
cada passo
não passa de um teste.

poeta foi Neruda,
foi Drummond
Cecília
que se entregaram
à trova
com a força da vida

eu, agora, sei apenas
de sabor e sentimento
e choro a cântaros
e molho os versos
e tento e tento e tento;

a letra na alma é alento.

faço da dor três palavras
do riso uma página
dos olhos, rima
da baderna um soneto
de amor

da regra
faço verso libertário
e transgressor

na poesia
sou caloura
e a graduação
vai longe ainda

poeta ainda não sou;

eu só cometo poemas
tal qual orbita um cometa
corpo menor do sistema solar
pequeno e ínfimo
na glória de um universo
já veterano em ser – este, sim -,
o mais magnânimo dos trovadores.

cometido pela Carol