Texto de em 14 de Abril de 2016 . Nenhum comentário.

Do que você foge,

quando usa a linguagem

pra fingir quem não é?

 

De que mundo escapa,

no momento do discurso enganoso

que nada diz sobre teu fluir?

 

Construções em metáforas

Palavras vazias

Inventando pra se fazer entender

 

Endurecimento, mil máscaras

Rumo a quê?

 

Fútil, inútil, tudo fadado ao fim

Por que não a verdade?

 

Esqueça os textos, os esquemas

Deixe explodir

dentro de você

 

Permita que a cápsula indestrutível

dilacere-se, dilua-se, extingue-se

 

Exponha entranhas

Esgote certezas

 

Vibre, apenas

 

É chegado o tempo

do transbordamento

 

 


Fragmentário de abstrações

Lucidez faz sangrar

Ternura também magoa

Ouvir é ocupar-se do outro

Jurar lealdade não é estabelecer elos

Solidão, retirada

Feridas se reconhecem de imediato

Paciência, deixar-se maravilhar

Entusiasmo, desejos em excesso

Expectativas, incapacidade de esperar

Imensidão, ver o mar

Amor é bom e começa tarde

A morte? Um desperdício

 

Escrito por Priscilla Scurupa

Ilustrado por Ginevra Mandelli