Depois do meio-dia (ode to the slim cigarette) 0 61

Depois do almoço ainda sinto aquela vontadesinha de fumar um longo cigarro, modelo slim, que ainda vendem em umas poucas bancas de jornal no Centro. Parei de fumar há cinco anos, parei com outros tóxicos também, mesmo assim, todos os dias depois do almoço ainda compro três cigarros soltos. Pego um jornal popular local, um periódico de São Paulo, com as notícias nacionais e, às vezes, um livrinho de palavras cruzadas novo, mas sempre os de nível médio, porque gosto de pequenos triunfos sem muito trabalho. Sento na Praça Santos Dumont, acendo um slim, solto a primeira baforada. Adquiri esse hábito com meu amigo Mac. Alguns podem chamá-lo de tolo, mas ele sempre diz: I’m only trying to calm down, just trying to keep it cool. Deve ser apenas publicidade manjada, dessas que eu crio todo dia para os clientes, mas caio nelas mesmo assim.

Depois de soltar a segunda baforada eu abro o jornal local, dou uma passada de olho nas notícias policiais, no esporte, que eu não gosto, mas leio para não ficar sem assunto com a rapaziada da agência. Então dou uma olhada nas colunas de opinião e falo mal em voz alta, xingo os filhos da puta que escreveram, eu os leio só para criticar mesmo, são uns idiotas e por isso gosto de lê-los, para saber como não pensar, é um exercício diário pra criar anticorpos. Por fim vou pros classificados conferir se tem alguma putinha nova na cidade. Confiro se as casas de swing continuam em pleno funcionamento. Às vezes eu pego uma putinha e vou a esses lugares que são muito bem frequentados. Lá gasto minha grana. É bom fazer as pessoas felizes sem pensar no amanhã. Sinto que nesses instantes nos tornamos parecidos, quase sou um deles. É um teatro do absurdo que Beckett não poderia ter imaginado. Após meus momentos de planejamento sexual para o fim de semana, abro o jornal nacional e vou direto à última página do caderno de cultura pra olhar as tirinhas. Depois leio as colunas de opinião e por último as de política, cotidiano, economia. Sou um bom leitor eu diria, um leitor voraz.

Dobro os jornais, puxo o lápis curtinho que deixo sempre no bolso do paletó e preencho algumas páginas do livro de palavras cruzadas. A Praça Santos Dumont é um microuniverso perdido entre uma sinagoga velha e a Secretaria de Cultura, com um bar espanhol na esquina de cima e a banquinha de jornal tradicional. Do lado de baixo há outro cenário particular: a Rua Cruz Machado. Esse é meu lar nas noites frias. Cruzei-a do Edifício Itália à Catedral centenas de vezes em uma só noite atrás das putinhas chinesas, das loiras falsificadas e parei sim (como todos os homens mal criados dessa cidade já pararam) na encruzilhada da fonte, na esquina da Rua Cruz Machado e Alameda Cabral e lá, atrás do semáforo, olhei o Motel Zumbi, a boate London Underground e a escadaria de pedra. Por diversas vezes olhei aquele cenário e me senti na escuridão, desarmado contra um desejo animal implacável. Bebi em copo de plástico, perambulei a pé até as nove da manhã e acenei para um ou outro conhecido que passou de carro indo levar o filho ao grupo de escoteiro ou pra bater um futebolzinho no domingo de manhã. Sabe aquelas meninas por quem você passa de carro à noite e sobe o vidro para não entrar em tentação? Então, comi todas elas sim, por que não? Vim ao mundo para comer. Os garotos são bocas insaciáveis. Nas noites frias eu apenas entro e saio sem explicações nem ressentimento.

A Cruz Machado é sim aquele universo romântico e decadente que Terence Keller traduziu em filme, em 2009. Eu assisti a esse filme há uns anos. Era quatro da manhã e estava completamente louco na grande sala de descanso de uma festa de música eletrônica. Na sala branca havia gigantescos sofás neutros e um retroprojetor passando curtas-metragens na parede. Algumas pessoas assistiam, outras apenas olhavam porque não conseguiam fechar os olhos e uma meia dúzia dormia por uns instantes. Eu ia muito nessas raves depois que a minha mulher me abandonou de vez, ainda nos tempos de WS, em São Paulo. Foram seis anos de torração, drogas sintéticas, cortes de cabelo excêntricos, meu apartamento virou algo que eu não entendia mais, os estranhos que apareceram lá aos montes, nas festinhas “privadas”, levaram tanta coisa embora que ao fim desse período já não parecia uma casa, mas uma instalação de arte surreal/minimalista de museu contemporâneo, enfim, como você pode imaginar, era triste a cena. Então voltei pra Curitiba, fazer o que, já estava desempregado há um bom tempo. Havia vendido tudo e gastado tudo. Fritasso e com alguns neurônios a menos, voltei pro São Francisco, pro apartamento no décimo quinto andar onde meu pai cresceu e onde eu morei quase a vida inteira também. O prédio é velho, as instalações de água e energia vivem dando problema, mas não preciso pagar aluguel, moro sozinho e a taxa de condomínio é barata. Vou a pé pro Centro, a agência é legal, pequena, mas fica no vigésimo andar e da minha mesa da pra ver a região Leste da cidade com a Serra do Mar ao fundo.

A loucuragem continua firme, mas eu só bebo mesmo. Cigarro? Só esses três depois do meio-dia. Já disse que parei de fumar. No mais, tô clean, não quero voltar praquela clínica na chácara e suportar a tolerância zero. Fico na piração, mas sem precisar descer demais, é tipo aquela redução de danos que os viciados em heroína ou em outros opióides fazem usando metadona, guardadas as devidas proporções é claro. Crack eu nunca mandei, não por falta de oportunidade, mas eu nunca fui afim mesmo, até bateu a curiosidade depois que um camarada me descreveu a onda, mas não sei não, acho muito baixo nível, não que eu me importe com o nível, afinal, o baixo Centro é o baixo Centro.

Aqui na Santos Dumont eu vejo os piores exemplos, os nóias entram por uma abertura na grade de ferro, que leva a uma área subterrânea atrás da sinagoga e lá embaixo puxam a fumaça da latinha ou do cachimbo. Saem espiadassos, falando sozinhos, olhando pra luz com dificuldade, elétricos, mas em câmera lenta ao mesmo tempo. Já vi cada cena nesse tempinho que fico ali sentado depois do almoço. Já vi nóia metendo lá dentro, achei que depois de um tempo eles paravam de meter. Tem uns que sentam no banco em frente ao meu e ficam se espreguiçando, olhando os carros passando, depois vão pro sinal, perto do ponto de táxi e pedem esmolas. Mas é claro que não são só eles que aparecem ali na praça. Há pombos nojentos, velhinhos que assim como eu sentam nos bancos pra dar uma olhada no jornal, o pessoal da construção civil que às vezes deita na grama suja pra dormir um pouco, os casaizinhos que trabalham nos escritórios do Centro e param ali na praça pra fumar um baseadinho e dar uns beijos antes de voltar pro estresse da tarde. Tem muita gente estranha, mas muita gente bonita também, eu gosto de apreciar a beleza das pessoas. Fico observando os tamanhos diferentes das bundas, dos ombros, seios, coxas, maçãs do rosto, cabelos. Encanto-me e apaixono-me sem nunca trocar uma palavra com elas. Apenas observo.

A essa altura, depois de passear com os olhos por tudo isso, eu jogo a guimba do terceiro slim no chão, piso nela com a parte da frente da sola e pressiono enquanto balanço o calcanhar três vezes, ajeito o paletó, acerto os óculos no alto do nariz e entrego os jornais para um catador de papel parado ao lado do carrinho na entrada da sinagoga fechada. Guardo as palavras cruzadas no bolso, junto ao lápis e volto para o turno da tarde em frente ao computador e ao lado do telefone. Acho que de todas as minhas vontades destrutivas, de todos os meus desejos sujos, dar essas tragadas depois do almoço seja a coisa mais difícil de largar.

 

 

Texto: Jadson André

Imagem: Samuel Briare

 

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Cruzeiro do Sul 0 106

Para Gal

 

Navegar pelo mar Mediterrâneo ou pelos outros mares interiores da pequena Europa era relativamente seguro. As distâncias sempre foram curtas e, mesmo durante as noites, Alfa de Ursa Menor oferecia aos marinheiros uma orientação segura. Todas as estrelas e constelações do hemisfério norte orbitam em torno da estrela polar e a partir dela se sabia para onde ir ou qual direção evitar.

– Você é o brasileiro mais calado que eu conheço, sabia?

– Isso não é muito, sou o único brasileiro que você conhece.

– Não é verdade. Não te contei que eu morei dois anos em Salvador?

– Ah, então é por isso. Eu sou de Curitiba, e os curitibanos não falam muito.

– Mas eu também vivi em Curitiba, por seis meses. Dava aulas de inglês em uma escola de línguas. Eles nunca me pagaram e depois disso passei uma temporada trabalhando na Ilha do Mel. E insisto que você fala muito pouco.

Os silêncios de Antonio a desesperaram desde o primeiro contato. É que apesar dele sempre ter demonstrado interesse, e de que ao longo de toda a convivência sempre tenha sido tão atencioso quanto um companheiro pode ser, ela sentia que as palavras eram a forma mais eficiente para se evitar qualquer mal entendido. Aprendeu cedo que suas atitudes eram condicionadas pelos seus discursos e, por isso, ao longo de seus relacionamentos descobriu o quanto os homens tentam por meio das palavras (ou da falta delas) manter sua liberdade de ação.

Por isso, cada demonstração de afeto desacompanhada da correspondente declaração lhe provocava calafrios. Ainda pior era ver que tinha se interessado, outra vez, por um desses homens que abraçam pouco e falam menos ainda.

– Me dá um beijo?

– Bobo, há coisas que não se pergunta.

– Mas como eu posso conseguir coisas quando elas dependem de outras pessoas?

– Aí você tem que ter a coragem de tomar uma atitude e esperar que seja correspondido.

Para ele, eram justamente as palavras que provocavam os males entendidos. Tinha muita dificuldade em traduzir ao português, e depois ao inglês, ao espanhol, ao francês, o alcance e a intensidade de seus desejos, medos e aspirações mais profundas. Acreditava sinceramente que o olhar, o sorriso e a expressão corporal eram representações muito mais inequívocas de todos os conflitos pelos quais passava.

– Me escreve uma carta?

– Esqueceu que há coisas que não se pergunta?

– Eu sei, mas eu quero uma carta. Além do mais, você é que tem que tomar a iniciativa.

– Mas eu tomei, até pedi um beijo.

Ao fim e ao cabo, ele conseguiu não só um, mas incontáveis beijos. Molhados de saliva, molhados de suor, molhados de lágrimas. Doces, salgados, amargos. Distantes, próximos, falados, abraçados. Bianca também conseguiu mais cartas do que qualquer pessoa que houvera conhecido. Cartas enviadas de outras cidades, outros países, outros continentes. Cartas pretéritas, presentes, futuras, perfeitas e mais-que-perfeitas. Algumas sequer lhe eram endereçadas, mas à mulher que um dia havia sido, ou à mulher que talvez viesse a ser.

Abaixo da linha do equador existe outro mundo. A estrela polar desaparece no horizonte e mesmo as constelações conhecidas abandonam seu comportamento habitual. Nas noites de outono o imponente caçador Órion descansa deitado, acompanhado das Três Marias que compõem seu cinturão.

Do lado de cá nada é seguro como do lado de lá. Mesmo o Cruzeiro do Sul, que serve de bússola com seu ponteiro indicando o meridiano, nasce no leste e se põe no oeste como todos os corpos celestes. Há pouco espaço para certezas quando se navega por águas desconhecidas.

Daqui é curioso olhar que Antonio e Bianca inverteram as posições. Não porque seja um fenômeno particularmente comum em relacionamentos tão duradouros, mas porque a intromissão de um terceiro elemento sempre provoca transformações profundas.

Agora é Antonio quem busca estar sempre por perto e, ao sentir que a pouca distância ainda é muito longe, se agarra desesperadamente às palavras. Fala sobre as estrelas e as constelações, e como elas não são as mesmas nos dois hemisférios. Fala sobre o regime das marés, e como eles são influenciados pelos movimentos lunares. Fala tão corretamente quanto possível, cuidando da colocação pronominal, muito mais complicada no português do que em qualquer outro idioma que conhece.

E diante da impotência em estabelecer o contato que tanto busca, se vê refletido nos olhos dela. Tenta entrar, e fala que vai cuidar de tudo. Não como quem sabe que pode cuidar de tudo. Nem como quem acha que pode cuidar de tudo. Sequer como quem acredita que pode cuidar de tudo. Fala que vai cuidar de tudo como quem implora permissão para cuidar de pelo menos uma parte de tudo o que pode acontecer dali em diante.

Para ela, as palavras já perderam muito do seu sentido. Não é insensível à cena. Tampouco é demasiado tarde para ele. Mas ela sentiu no próprio corpo o amor que ali cresceu nos últimos meses, e percebe que ele não precisa de linguagem para se expressar.

Como um marinheiro perdido, Antonio assiste cada nova estria com o mesmo estupor com que os antigos navegantes miravam o céu sem a estrela polar. Compara aquela esfera crescente com o universo em expansão e busca, nas novas formas e desenhos, algum sentido de orientação. É inútil, os dias passam e ele não sabe o que esperar.

Ela o surpreende com um olhar grato e condescendente. A gratidão por saber que tem ao seu lado a melhor pessoa possível, e a condescendência de quem sabe que pode caminhar sozinha, mas prefere ter alguém com quem compartilhar a experiência.

Esse olhar o deixa mais tranquilo. Entende que talvez não possa cuidar de tudo, mas terá o seu espaço. Afinal, lá fora estão o céu, as estrelas, as luas e as marés, tudo por ser explicado e entendido. E tudo recomeça.

Demônio de Fausto 0 91

De todas as histórias que me propus  a contar, nenhuma terá tanto a dizer quanto aquele relato trapaceiro embaixo da ponte do Canal. Foi a história mais absurda que poderia ter descrito. Quando olhei pela janela hoje cedo e vi o céu, tive ainda mais certeza: era tudo verdade.

Meu interlocutor? Pergunta fácil. Audiente muito ilustre, vindo de um canto escondido do cosmos somente para aquela sessão rápida e informal. Talvez, por esse motivo, estava alvoroçado e um tanto irritado. Podia ser só arrelia da viagem também. Minha assimilação foi afetada primeiro pela surpresa da visita (eu estava caminhando perto da ponte do Canal sem a intenção de encontrar quem quer que fosse e por vezes tinha fugido da vista de um ou outro conhecido); depois, pela soberba daqueles olhos lancinantes, cravados em um rosto comprido, bochechas vincadas e testa escondida pela franja. Cabelo oleoso, sufocado por um pork pie hat preto. Ao contrário do que fez em sua última visita, desta vez não veio acompanhado da gangue de pequenos demônios orientados tão somente pelo espetáculo e pela inveja. O coro era solo.

“Alguma coisa precisa mudar meu jovem. Alguma coisa nessa sua vida de merda precisa ser movimentada com urgência!”

“Você deveria me dar conselhos ruins, via de regra, não?!”

“Cala a boca pirralho. Você acha que brilha!”

“Desculpa.”

“Escute aqui, prepara essa cabeça. Nessa sua próxima história pode até ter um amorzinho, mas no fim, a única justificativa para tudo precisa ser a aniquilação. Nada desse papo otimista, dessa merdarada futurista. Você tá me entendendo? O barulho tem que ser tão forte que os cérebros derretam instantâneamente e escorram através dos olhos, ouvidos, nariz e até pela boca. Quero cenas de terror. Violência gratuita. Tá me entendendo, pirralho?!”

“Tá bom cara, porra, não precisa insistir tanto desse jeito. Já saquei qual vai ser dessa vez: vou pintar um quadrão vermelho, cheio de tripas. Se é o que você quer, vamo ai.”

“Isso, isso mesmo. Nada de suspense psicológico, nada de aventura com desfecho ‘mais ou menos’. E chega de misticismo. Nada de enigmas, signos justapostos, pistas para o tesouro, nada de referência sem vergonha, muito menos esse negócio de diarinho lírico do cotidiano. Vai pro pau! EU QUERO PORRADA! Tá entendendo?!”

“Mas na última história já deixamos ouvidos sangrando e cérebros quase explodindo. Essa parada de tripas tá ficando manjada também. Livro sobre jantar canibal, sobre suicídio, tudo isso tá muito modinha, saca? Até aquele plot de personagens abandonados à própria sorte em um vilarejo macabro tá virando filme de Hollywood classificação doze anos. Ainda bem que o politicamente correto começou a morrer depois do mandato do Obama, ninguém aguenta mais essa onda de bom-mocismo. Além de ser hipócrita, pasteuriza TUDO.”

“Beleza cara. Ok, ok e ok! Não precisa ser tão de graça então. Pode ser algo mais sutil, mas mesmo assim, tem que ser algo de virar o estômago.”

“Faz tempo que tô pensando em fazer uma história sobre guerra química. Tá meio oportuno, eu diria. E se a gente fizesse algo com cianeto no meio?”

“Cianeto cara, sério?! Você é muito previsível mesmo. Cianeto é para suicídio gourmet. Coisa pra gente famosa, do calibre de Horácio Quiroga, do Hitler e da horda dele. Cianeto é veneno pra historinha de anarquista sérvio, eu quero mesmo é mostarda nitrogenada, aí sim a coisa fica interessante.”

“Meu caralho! Tu quer bagunçar as personagens nesse nível? Corre o risco de virar um show de bizarrice sem fim.”

“Sim cara, eu falei para você abrir essa sua cabecinha de merda. Falei que a porrada tinha que ser intensa. A primeira cena que me vêm à cabeça é uma imagem com as personagens ardendo após uma explosão daquela gosma amarronzada com cheiro de peixe. Imagina a galera sufocando, com os olhos fumegantes e a pele cheia de bolhas. Quero todo mundo com feições cancerígenas, como se tivessem saído de um filme do Cronenberg. O resto do enredo você constrói aí. Já te dei quase tudo de graça.”

“Certo, entendi.”

“E quero que seja em um lugar menos estigmatizado também, para causar impacto. Pode ser em um contexto abastado e pacífico, foda-se que vai perder um pouco da verossimilhança. Caso você não se esqueça daquela astúcia essencial, tudo vai terminar bem mal, com direito a aplausos. E não se esqueça eim, sem entregar muito a história até que tudo esteja se aniquilando em bolhas de linfa. Destrua uma coisa bonita que eu quero ver.”

Mefistófeles de Fausto e seu chapéu preto desapareceram antes mesmo da minha resposta. Não sei se terei os vinte e quatro anos sem envelhecer concedidos ao mago alemão ou se meus manuscritos nunca irão arder nas chamas, como os do dramaturgo russo. O fato é que coordenei as pontas de meus dedos sobre o teclado e não sei quando irei parar. Certamente será a história mais absurda que já contei. E, no final, vou dizer com insolência atrevida: era tudo verdade.

Texto de Jadson André