Texto de em 31 de outubro de 2016 . Nenhum comentário.

Minha alma eu jogo na cadeira,
vou usando enquanto dá.
Tal qual jeans na sexta-feira,
suja demais pro guarda-roupa
e ainda limpa pra lavar.

Um dia grita, encardida,
tadinha, a sujeira é tanta.
Coloco na pilha das coloridas,
petit poás e as floridas,
quem disse que alma é branca?

E pra lavar, deixo de molho
em meia garrafa de vinho.
Não há sabão que purifique
como ouvir um Jeff Buckley
tocando assim devagarinho.

A centrífuga gira na pista,
últimas gotas caem pelo rosto.
Lavô, tá novo, tá lindo!
Agora só secar na garoa,
varal de domingo,
ocaso de agosto.

 

Murilo

Crédito Foto:emanuela franchini Flickr via Compfight cc