Sombras Difusas

Texto de em 20 de outubro de 2016 . Nenhum comentário.

Dormem durante o dia os demônios que invadem a noite?

 

Drive Thru do fast-food, outra vez, mesmo o menu de café da manhã é gorduroso e pobre em vitaminas. Sabe disso, só não se importa, também não tem tempo de pensar em outra coisa. Está atrasada faz mais de quarenta minutos, e mais do que comida, precisa de um café forte. Na noite anterior teve happy hour com as colegas do trabalho, metade do preço no sushi e na saquerinha até as 21h. A última companheira de mesa foi embora às 21h30, após três saquerinhas de kiwi, para ela a noite estava apenas começando.

 

Os penhascos fazem sombras que reforçam a escuridão dos abismos.

 

A bandeja com café presa entre as coxas, a mão que envolve o folhado também encontra espaço para segurar o volante, a outra se alterna entre o café e o câmbio do carro. Queria ter outra mão para mudar a música, está definitivamente cansada da Rihanna. Come o último pedaço de folhado sem mastigar muito bem, as olheiras que encara no retrovisor a fazem lembrar que é necessário um pouco de maquiagem. Merda, não vai dar mesmo pra passar a música. O resto de café morno esquenta sua azia, por precaução sempre há um estomazil na bolsa. Estaciona o carro na vaga de sempre. Não sabe qual dos quatro perfumes emergenciais que deixa na porta do carro irá usar hoje, fecha os olhos e deixa o acaso escolher, tem funcionado.

 

Ninguém fica nu pela ausência de roupas, sim pela existência de normas.

 

O beijo de despedida, dado próximo às cinco da manhã, foi bastante tímido se comparado com os que recebeu horas antes, distribuídos quase que uniformemente pelo seu corpo. Sozinha, na cama, o cansaço se aliou ao torpor para vencer a insônia. Não é necessário calor alheio para embalar o sono, não mais. A vida sempre oferta uma nova fase, todos os dias, por mais que não pareça. Existe meio de não abraçar incertezas? Sentia que a resposta logo viria, infelizmente acordou antes disso. Passou a sonhar com esse tipo de questão, assim que se habituou a cochilar no banheiro do escritório. Mais um café, possivelmente mais antiácido. Combinou de sair a noite com as ex-colegas de faculdade. Onde seus braços vão parar?

 

Gabriel Protski