Quando Nos Anoitece

Texto de em 10 de julho de 2017 . 1 comentário.

Nos subterrâneos de nossas lembranças guardamos recordações que não conseguimos mais enxergar.

 

Tateamos o obscuro na esperança de reconhecer as peças que nos formaram. A luz entra apenas por pequenas frestas, reavivando objetos que nos conectam com o passado, que vivemos e que inventamos.

 

Pintamos quadros com formas conhecidas apenas por nós, mesmo quando retratamos algo natural à todos.

 

Enfim, chega a penumbra e as frestas vão se fechando. Já nem lembramos mais o que os quadros vazios – que enchem a parede – emolduravam.

 

Comparado ao todo, tudo não passou de um instante.

 

Escrito pelo Gabriel Protski

Fotografado pela Marcella Borba