Literatura apesar de tudo.

bigodepostado por Rafaé

 

Sozinho há mais de dezoito horas, tomo um banho – não muito quente. Ao sair do banheiro, a escuridão já dominava meu quarto. O calor não era suficiente para se fazer perceber. Típico nessa época do ano.

            O ônibus perdido me atrasou em vinte minutos. Ainda assim, fui o primeiro a chegar. Minha solidão estava com os minutos contados. Logo chegam um, outro e mais outros. Enfim tomamos conta do bar, com mesas atravessadas no meio e tudo mais. Objetivos comandam a noite e as cores mudam de acordo com o desafio.

            Nem todos enxergam o que acontece, mas ainda assim jogam baralho. O banheiro é cada vez mais disputado – por motivos ilícitos.

            A meia noite vem chegando e o vinho chega pra acompanhar a peregrinação que nem sempre chega a algum lugar. Mas a noite se fará lembrar no dia seguinte. Seja pelas lembranças, seja pela dor de cabeça.

Ah, a cultura

Texto de em 28 de agosto de 2009. Nenhum comentário.

Em tempos de cultura digital, cybercultura e cultura do cu sujo, sou bem mais a cultura 8 Bit. Aliás, vou curtir o meu prazer. Você só vai assistir.

 

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postado por Marcola

 

Um  amigo me relatou o que houve durante o fim de um longo relacionamento, pelo qual passou recentemente, e eu fiquei inspirado para escrever um poema bobo. coisa comum em meu comportamento Aqui o publico:

“Foda-se

Não quero sentir o obstáculo no meu caminho que é o simples fato de que você existe;

Você me faz sentir como lixo, e eu (aprenda agora e lembre sempre) não sou lixo. Absolutamente;

Morra.

Começou errado,

E só agora percebo que não poderia ter acabado em um lugar melhor que este, de qualquer forma. Do fundo do poço, arquiteto a minha vingança.”

E era basicamente isso que eu tinha pra dizer, por hoje. Sobreviva, brother!

a kid, everybody is.

Texto de em 26 de agosto de 2009. Nenhum comentário.

postado por Ander

Acordou com o despertador. Acordou com a função soneca do despertador. Acordou com uma ligação de mariana querendo comprar ingressos pra peça de Clarice Lispector. Com dor de cabeça preparou o café e duas torradas, não iria mais pra aula, foda-se, com tanta angústia seria impossível conceber o mundo em teorias. Pensava muito sobre a ligação que precedia todos os despertares: a da noite anterior. Para joão as decisões eram muito difíceis, pensava e culpava-se em excesso. Sentia-se amado, mas não aprovado, podia garantir que sua fragilidade irritava seu pai, um exemplo de força e de…força! e era só isso. “Tem muito mais coisa que resistência às más condições nessa vida!”, mas o que um moleque de merda poderia saber? “será que tem mesmo?”

Difícil mesmo era explicar a reprovação, querer concordância, o que a princípio, parecia só um capricho mimado de quem tem que ter sempre apoio. No fim das contas conseguir o que queria era fácil, o que doía era pensar o que pensavam os outros em seus íntimos, maldizendo cada decisão “errada” que joão tomava, por ser aéreo demais, por ser viado demais, por ser sensível demais….mas era mentira!, ele tinha mariana, ele tinha coragem de ler as coisas mais profundas que cutucavam lá no fundo, ele enfrentava a vida sim, e apesar de lutar em seu intimo anárquico contra aquela merda de mito do bem sucedido ele tentaria ser um! E se tudo desse errado estava disposto a revelar o que o tinha deixado tão medroso durante toda a vida: toda criança é um fita virgem onde são impressas as coisas do mundo, e traumas são traumas, não podem ser retirados, o máximo que se pode fazer é gravar por cima e por cima. Mas os fragmentos sempre ficarão! Porque ninguém tinha proibido seus pais de inscreverem ele naquele maldito trabalho de ator mirim? Até hoje tinha medo de pessoas, mesmo daquelas que queriam o ajudar, sentia-se de novo com um ano e seis meses: ainda era o rapazinho do clipe: sua vida até hoje ainda era aquela animação a partir dos 4:55 do clipe.

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postado por Rafaé

Podem dizer o que quiserem, mas eu não volto atrás. Deixei o Rascals e esperarei o tempo que for preciso para que o Turner perceba que o Last Shadow Puppets é a casa dele, e eu a família. Só uma pessoa muito distraída pra não perceber que a nossa parceria foi um divisor de águas no Arctic Monkeys – entre o bom e o nem tanto assim.

Mágoas, não trago nenhuma comigo. Confesso que no começo eu me senti meio iludido, mas já passou. Afinal de contas, não é todo dia que seu trabalho roda o mundo e as pessoas confundem a sua voz com a d”aquele jovenzinho promissor”. Mas enfim, o anonimato voltou à minha vida e hoje eu sou apenas mais um little british.

Aos meus ex-companheiros de banda agradeço a compreensão, mas os holofotes do Last Shadow Puppets – nome escolhido por mim – me aguardam.

ps: Turner, se você estiver lendo, me liga.

postado por Rafaé

Meu caro povo amapaense e maranhense; enfim, todos os brasileiros que mamam nas tetas dessa vaca chamada Brasil também meu. Esta requisição é, na verdade, um apelo que faço. Sei que não estou com muita moral junto a vocês, não que eu me importe, mas gostaria de ter o direito a mais uma única nomeação. Calma! Não é parente meu.

Na verdade, eu quero nomear o maior brasileiro mentiroso do século 20. Não é Ronaldo, não é Xuxa, muito menos Sebastião Salgado. Glauber Rocha, esse sim foi o mentiroso que causou o maior estrago na nossa cultura, principalmente hoje, em tempos de Youtube.

Onde é que se viu, dizer que fazer cinema basta: “uma câmera na mão e uma idéia na cabeça”? E o talento? E o senso do ridículo? Pra ele era fácil ignorar esses fatores em uma época que só filmava quem tinha dinheiro. Mas hoje, qualquer um faz um lixo vídeo qualquer e joga na grande lixeira que nunca transborda: a web.

E agora, nem a minha banda favorita (Os Metralhas) (Pretenders) escapou de uma egocêntrica. Lamentável. Gostaria de poder fazer esse bem para todos os usuários desse mundão que nem sei se existe: a Internet. Vamos protestar!

Grato pela atenção, e certo da compreensão;

Sir Ney.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=jFLVXNCu7Sc]

postado por Rafaé

O até então imortal da televisão brasileira, Silvio Santos, não está mais entre nós. E agora, no céu dos judeus-donos-de-emissoras, ninguém mais terá sossego. O que será realidade ou pegadinha no céu? Será que os querubins irão se corromper e topar tudo por dinheiro? Agora é hora de ver se o jogo é realmente algo profano. Ou será que Deus vai aderir e liberar a Tele-sena? Agora o ‘nosso’ Silvio irá se juntar a Cristo, rebanhando criancinhas; mas que fique bem claro: A Maysa é do Silvio, porque lá a justiça dos homens não vale.

Nerdinho

Texto de em 17 de agosto de 2009. 1 comentário.

postado por Caco.

Ronaldo, ou Naldinho como era chamado pela família, estava no computador em sua casa sem ter muito que fazer. O menino levado de sete anos começa a fuçar em tudo. Eis que acha um DVD de seu irmão mais velho. Adivinha o que era? Hunm, hunm… Alguém, alguém sabe? Não?! Era um disco com toda a série “Star Wars” com qualidade meia boca ripado da internet. Naldinho não pensou duas vezes e prontamente pôs-se a assistir o primeiro episódio da trilogia, que na verdade é composta por seis filmes, e se apaixonou muito pelas idéias, lutas, naves, espadas de luz, lasers…

Aproveitando que seu irmão havia viajado, decidiu assistir a todos os filmes sem sair do quarto. Tinha o final de semana todo pra isso. Mas logo no segundo longa metragem descobriu que sua mãe, empunhando uma Havaiana azul número 44 de seu pai, poderia derrotar até o mais forte cavaleiro “Jedi” que já existiu. Então com breves pausas, forçadas, para banho e refeições ele assistiu a todos os filmes. Prestava muita atenção em como os poderes eram usados, pois assim ele também poderia se tornar um “Cavaleiro Jedi”.

Segunda-feira logo cedo ele foi à escola e lá encontrou seu arquiinimigo, Joãozinho, por coincidência menino com mesmo nome e mesmas peripécias do famoso pestinha das piadas, o terror da escola. Como de costume, logo após avistar Naldinho, Joãozinho apanha uma pedra e arremessa na direção do pequeno “Padawan” que rapidamente estica sua mão esquerda à frente e concentradamente tenta segurar a pedra com seus poderes, o tranco foi grande, a pedra deu no meio da cabeça do menino que foi levado rapidamente ao hospital.

Depois do ocorrido Naldinho, agora com um baita curativo e três pontos na cabeça, sentiu que somente a “força Jedi” não seria suficiente para derrotar seu oponente. Decidiu então passar para o “lado negro da força”, agora nas ausências de seu irmão, Naldinho usa o computador para baixar toda a série “Star Trek”.

postado por Marília

Marina sempre chegava à casa amarela faltando cinco minutos para a meia noite. Fechava a porta e, no caminho até o banheiro, tirava a roupa e a jogava no chão, sem se preocupar com a bagunça. Tomava um banho bem quente de, no mínimo, meia hora e saia nua pela sala, com a pele branca vermelha. Marina morava ali há seis anos, desde que seu pai faleceu, mas sempre chamou a casa de casa amarela e nunca de sua. Uma hora da manhã Bruno ligava para perguntar: Tudo bem?

Mas hoje Marina chegou à casa amarela, molhada da chuva, e abriu uma das garrafas de vinho tinto seco do armário de seu pai. Sentou no sofá, que logo se encharcou da água que escorria de suas roupas e, bebendo o líquido em uma taça, chorou. O telefone tocou ininterruptamente entre uma hora e uma hora e meia da manhã. Sem saber se tudo estava bem, Bruno teve enfim a certeza de que a amava. E ter essa certeza o irritava tanto quanto a sua pontualidade para telefonar. Mas Bruno sabia que ele era inevitável demais para não ser tão óbvio.

postado por Ander.

Eis que ontem no submundo light AKA lapa surgiu ao lado de nossa mesa um tipo artista velho underground oferecendo seus serviços: desenhar um retrato de alguém da roda. Talvez nunca teríamos topado desembolsar 10 pila se o tal sujeito não tivesse se apresentando como Fernandinho Buarque de Hollanda, primo de Chico Buarque, o que ficou provado não só pelo artigo num jornal amarelo e plastificado, mas também pelos olhos: idênticos ao do baluarte da ‘nossa’ música popular brasileira. A principio totalmente encantada, fiquei vidrada no desenhista que introduziu várias gírias do seu contexto no nosso e contou várias histórias.

Entre um traço e outro, chegavam vários bróders e cumprimentavam-no, talvez fossem estes uma possível velha guarda da Lapa, o que era muito divertido de ficar imaginando, talvez não, mas whatever, já que os tempos imemoriais da malandragem carioca ultrapassam qualquer obrigatoriedade com a veracidade da história. Afinal fantasiar sobre o que não se viveu e encarnar no coração esse espírito do passado é feito pelos seres humanos a todo tempo, quando buscam algum traço mais lúdico para a própria existência.

Fernandindo trampa no jockey club do rio de janeiro as sextas, sábados e domingos, cuidando de potrinhos, “aqueles cavalinhos pequenos” e nos convidou para visitá-lo, mora no Curvelo, ali em Santa Tereza e alegou que o dinheiro ganho pela sua arte seria destinado a alguns rolos de esparadrapo para o filhinho do vizinho, de 5 anos, que andando de skate perdeu dois dedinhos do pé.

A poesia escrita no verso do retrato disse ser de Clarice Lispector, uma homenagem, já que supostamente era o dia do aniversário dela. Mentira, não era aniversário de nascimento, nem de morte da escritora. Ele não teve um filho com ela, tampouco era Julinho de Adelaide, pseudônimo do seu primo.

Sua presença acompanhada de várias frases de efeito porém, nos serviu de história pra mais uma noite etílica e desocupada.