TML. Um legado, uma história. 5 59

Narrado por Muriloco

Há três anos, dois jovens estudantes do cursinho Positivo decidiram matar aula em busca de um objetivo comum, se preparar para a faculdade. Não para aulas e estudos, mas sim para as partidas de sinuca que lá esperavam ter. Como toda sinuca pede cerveja, ocasionalmente saíam para jogar e beber, inicialmente num ritmo leve e moderado.

Foi assim que um dia, convidados pela irmã de um deles, desbravaram novos caminhos e foram até a reitoria. Lá encontraram universitários de vida boêmia, ilustres pessoas como Karkão, Maroba, Pagode e outros amigos. Eles se reuniam nos primórdios do que viria a ser um prodigioso evento: a terça-feira muito louca.

Ao ouvirem esse nome, os dois jovens ficaram fascinados, pois era justamente às terças que matavam aula no cursinho. A partir daquele momento, toda terça seria muito louca. Vasculhando bares de Curitiba (pois a reitoria era muito longe) e periodicamente aumentando a dosagem alcoólica, encontraram o lugar perfeito. Era uma boteco agradável, com duas mesas de sinuca, Bavaria a 2 reais e Rabo-de-galo a 1, chamado Bar do Seu Luís (sob o pseudônimo “lanchonete merluz”). O dono era o próprio Seu Luís, uma figura carismática e paterna.

Convidavam cada vez mais pessoas, geralmente sem sucesso. Não era fácil, afinal, convencer aqueles charlinhos a encher a cara ao invés de estudar. Mas por vezes levavam amigos que faziam cada terça ter uma cara nova. Ao longo do tempo rolaram alegrias, cervejas, mágoas, sinuca, cervejas, divisão de garotas, amizades, doses, ratos voadores e, é claro, cervejas.

Criaram regras para as terças muito loucas, para que jamais fossem pouco loucas. Assim, cada vez mais ébrios do que a vez anterior, adotaram o bar do Seu Luís como uma segunda casa, onde, diga-se, qualquer um poderia fazer uma visita.

Aos que quiserem conhecer o evento e as regras a fundo, sintam-se à vontade para falar com Murilo ou André. Mas esteja avisado: a loucura não é pouca.

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5 Comments

  1. hahaha… pior que eu não tinha certeza e fui olhar no orkut do karkão…. lá tava maroba! hauhauhau
    mas enfim, vale a intenção….

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Vida comum parte 1 0 107

Vida comum parte 1

Véspera de feriado, antes da meia-noite e eu já com meia garrafa de conhaque na mente. Curtia me derreter no gole, de dose, de lata, de garrafa, de todo jeito. No feriado rolou um churrascão que nem lembro se comi, dropei umas caipiras antes de acender o fogo e fiquei mais preocupado com a temperatura das garrafas que da carne. Sábado a ressaca com a mão pesada, tava batendo forte, contra-ataquei com uns latão, encostado nos fundos do posto com a rapeize, só flagrando os doidinho tirando uns racha de Parati, Chevette e Gol Chaleira. Domingo rolou rave na região metropolitana, no meio do mato, não virava ir de bonde, botei uma gasolina na Bizz e meti o pé; duas carteiras de Minister depois já tinha descido whisky com energético, vodka com suco, vários ampola, um doce e umas água colorida que os parceiro botaram, sei lá qual fita, puta gosto de remédio. Bati a nave antes da hora, cheguei em Grayskull sem nem aproveitar a viagem, ensaiava falar e não saia voz, tava tenso, me mordendo, fiquei nervoso: deu bad. Tentei endireitar a caminhada tomando umas águas, mas não rolou, a conta não batia, os dentes rangendo, coração agitado querendo se mudar do peito. Precisava voltar pra minha goma, tomar um banho, talvez dois, sei lá, só precisava vazar, montei na moto e fui. Tava com dois IPVA atrasados, cabreiro de cair numa blitz, e se soprasse um bafômetro explodia a máquina – certeza. Queria chegar logo, entrei no modo Valentino Rossi e corri a milhão, como se fosse fuga. Foi aí que deu ruim no piloto automático, se pá que dormi em cima do jato, lembro só de uns clarão, uns flash. Vi o céu por baixo, deitado no asfalto, sei lá qual fita, tudo nublado, que dia bosta. Me liguei e já tava todo remendado no hospital, numa sala com umas vinte cabeça, todo mundo fudido, uns mais outros menos. Eu? Era cabeça de chave do grupo dos desgraçados: com a lata do frankstein, olho roxo, cara inchada, nariz quebrado, uns ponto na testa. Trinquei uma costela e quebrei outras duas, a clavícula rachou e a mão tava na carne viva. O médico foi desenrolando essa lista aí e eu aceitando na moral, os pensamentos embaçados, cheio de analgésico, todo bagunçado de dor. Aí teve uma mão que ele deu uma pausa, ficou mais bolado e mandou A real: disse que eu sofri um choque cabuloso no quadril, perdi mais de 80% do fígado, que num tinha como dizer o tamanho real do estrago, mais uma fita era certa, nunca mais ia poder beber, se tomar meia lata que seja, posso encomendar o caixão. Acordei umas três vezes crente que tava tendo um pesadelo, foquei umas horas que tava numa brisa errada de doce. Mas não. A vida é uma viagem desgraçada.

Chegada 0 671

hoje recebi sua mensagem
Estou chegando, prepare a casa
e meu coração pulou afora
bateu amor por toda a cidade

conto os dias, conto as semanas
conto para todos
Ela está vindo!

hoje recebi sua mensagem
Estou chegando, mas levo ainda um pouquinho
e antes de te ter em meus braços
já tenho em todos os sonhos do mundo

conto os dias, conto as semanas
conto para todos
Minha menina vai chegar!

hoje recebi sua mensagem
Estou chegando, já não falta mais tanto
e prevendo as noites com você,
me vejo em claro sonhando

conto os dias, conto as semanas
conto para todos
Vou ser pai