Texto de em 16 de Fevereiro de 2017 . Nenhum comentário.

Propulsiono voraz

Aciono o ferrolho

Pra viagem audaz

Rindo do infortúnio

Rumo ao paraíso

Um novo muito velho

Mas ainda suspenso

Nada de equilíbrio

É pura estática

Eu não sou robô

Nunca tive muita prática

Vivo no mundo sujo da Capital

Minha ferida exposta

Clamo o primor sideral

Vida de fronteira

Vô André sabe contar

Com os dedos parcialmente amputados

Desenha no ar

Completa a terceira

Desdiz a primeira

Aponta corpos de luz

Blefa no jogo das ilusões

Adoráveis tempos inúteis

As luzes de alerta são só explosões

Preencha meus ossos ocos

Arrependimento é paraíso

Sem dados ou troco

Sem navegador

Cruzo o segundo oceano

Nova era

Foda-se o descobridor

O plágio é compreensível

Sou replicante

Transfigurado de emoção

Vestindo película invisível

Invado íntima multidão

Sinto, revisito, encaro

Falta de sentido, o fim é a morte

Disparo contra muro instransponível

Aponto os números da sorte

Aposto com a própria vida

You’ll never take me alive

All-in mothafucka

 

Ouço histórias violentas

Proferidas por lábios senis

Elas são quadros únicos

Dos quais tento não esquecer

A fé não sustenta

Lua após lua

Estrela após estrela

Estão todas no passado

Menos fujo, mais me entrego

Sou mentiroso, não nego

Menos digo, mais completo

Vivo pra contar

O capacete preserva meu sopro

Novo gálea espacial

Cinta jugular

Minha coleira do mal

Limbo intergaláctico

Extingue meu ser

Desacelero meu pacto

Sem gravidade

Assumo a dianteira

Cauda longa

Sempre em curso

Sou poeira

 

Texto de Jadson André

Imagem por Caroline Rehbein