Texto de em 11 de julho de 2009 . Nenhum comentário.

postado por Lela.

 Volte dois dias e haverá pouca novidade. A memória
perde a linha de uma história sem valor, os fatos passam com
aparente relevância.
Quem conta pensa que sabe e quem ouve diz que acredita.
Conserva-se tudo o que se crê conhecer. Mas o salto no desconhecido
ainda é necessario e gera gargalhadas de desprezo, provoca
perplexidade naqueles que tem medo de arriscar.
 A novidade reduz-se à expectativa da atitude do personagem da vez,
observado sozinho, com apenas um cartão de crédito limitado e sem wireless universal,
pensando em como aportar em uma cidade ilhada e distante da terra natal. Para ele, a cidade parece
 escura, fede a mofo apesar da seca de meses e após dois dias a lembrança será eliminada de sua memória. 
Com o passar do tempo, buscando reconstituir o que passou e na tentativa de conferir relevância
ao comum, tudo será descrito como um grande evento, narrado com entusiasmo e figuras de
linguagem.
A angústia vivida soará como um mérito e o desejo subconsciente de admiração buscará a dor
dos que ouvem como se isso lhe trouxesse de volta o passado mal aproveitado que um dia foi
a novidade de alguém.